Proteína envolvida nesse processo pode ajudar no tratamento de doenças como Alzheimer e autismo
Para que algo que é aprendido hoje seja lembrando dias depois – ou até
anos, o cérebro precisa criar memórias de longo prazo. Esse processo
está relacionado ao fortalecimento das sinapses, regiões de ligação
entre dois neurônios, que processam e transmitem as informações. Esse
processo, porém, precisa ser constantemente controlado pelo organismo,
pois um estímulo exagerado das sinapses pode provocar crises epiléticas.
Finkbeiner e sua equipe estudaram os movimentos da proteína Arc em animais e no laboratório, e descobriram que o papel dessa proteína na regulação das sinapses é maior do que os estudos anteriores previam. Os resultados mostraram que a Arc é o principal regulador de um processo denominado plasticidade homeostática (homeostatic plasticity), que permite que os neurônios fortaleçam algumas sinapses ao mesmo tempo em que evitam a excitação excessiva dos neurônios. A pesquisa foi publicada neste domingo, na revista científica Nature Neuroscience.
"Quando neurônios são estimulados durante o aprendizado, a Arc começa a se acumular nas sinapses – mas o que nós descobrimos é que logo depois disso a maior parte da Arc fica presa no núcleo", afirma Erica Korb, principal autora do estudo. Durante o processo de formação da memória, alguns genes precisam ser "ligados" e "desligados" em momentos específicos para gerar proteínas que ajudem os neurônios a consolidar as novas memórias. Os autores descobriram que é a Arc que, de dentro do núcleo, dirige esse processo.
Doenças neurológicas – Para Finkbeiner, a descoberta é importante não só por resolver o mistério do papel da Arc na formação de memórias de longo prazo, mas também por ajudar no entendimento do processo através do qual o organismo regula as sinapses. Problemas nesse sistema podem estar relacionados a diversas doenças neurológicas. "Cientistas descobriram, por exemplo, que a Arc está presente em quantidade reduzida no hipocampo – área cerebral relacionada à memória – de pacientes com Alzheimer", afirma o pesquisador. Outra doença à qual a Arc pode estar relacionada é o autismo.
"Nós esperamos que pesquisas futuras sobre o papel da Arc no organismo possa aumentar o conhecimento sobre essas e outras doenças, e também criar as bases para novas estratégias de tratamentos para elas", afirma Erica.






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